• Renato Leal

O outro do outro somos nós



Não sei se foi o clima e atmosfera de Sintra, ou se a qualidade do mexilhão, do bacalhau e do vinho que degustamos no Restaurante Bristol, ou as companhias. Uma cliente, seu filho e nora…todos com uma boa veia espiritual.


A conversa versou sobre diversos temas.


Um deles me chamou à atenção. Sobre o esforço que devemos fazer para sermos a melhor versão de nós mesmos, de dar a nossa melhor contribuição a todos e ao planeta e de exercitamos diariamente – a cada momento que se apresente – a nossa compassividade.


Este é o único caminho, se todos entenderem assim. A alternativa a longo prazo é o caos.


A humanidade sofre de um mal que é fruto de uma postura que é justamente o oposto disso. Sermos os melhores para nós próprios, e achando que assim a felicidade vai chegar. No máximo teremos momentos felizes, entrecortados por períodos da mais absoluta infelicidade.


Ao escrever estas notas, me veio a ideia de que a felicidade permanente é a única que vale mesmo a pena perseguir: ela vem de nós e dos outros que olham o outro também com compaixão.


Na mesa, um trocadilho foi dito e bem sintetizou toda a conversa. O outro, do outro, somos nós. Esta curta frase não me deixou durante todo o dia e até mesmo agora ao levantar nesta linda manhã de sol e frio na Serra de Sintra. Se formos o melhor de nós, seremos o melhor para o outro. E se o outro fizer mesmo, ele será o melhor para nós.

Um jogo poderoso de ganha-ganha, em que todos, exponencialmente, ganharão.

Só assim, evitaremos o nosso caos civilizacional. Só assim teremos uma felicidade duradoura dentro de nós.


Aldeia do Penedo, 19nov17


RL



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Escrevo, não para convencer ninguém, mas sim porque gosto, me ajuda a pensar, a organizar as minhas ideias e opiniões e internalizá-las. Não escrevo porque acho que estou certo e muito menos por pretensões literárias. Apenas quero uma referência para fazer crescer as minhas convicções, ou para saber quando, e porque, mudo de opinião. Para tentar visualizar o futuro e olhar para trás com consistência e visão crítica.

Escrevo também, para que aqueles que discordam das minhas opiniões tenham mais uma oportunidade para pensar e ter convicções sobre o que pensa. Ou não. E para os que concordem, saibam que não estão sós no mundo.

 

E, finalmente, lembro que quem escreve é refém do momento, das informações que dispõe, e de como é e pensa, neste mesmo momento.

 

Renato Leal